O Tear

Juntos, ir ligando linhas, transformando-as em tecido.

A nossa vida é moldada pela forma como pensamos; transforma-mo-nos como resultado de como pensamos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Afinal as coisas são ou não são o que parecem?

Porco-espinho. Que criatura fascinante, de um tamanho relativamente insignificante, mas que consegue evitar a aproximação dos seus co-habitantes independentemente do seu tamanho. Alguém se arrisca a ser picado? Não me parece! Terá este bicho consciência do efeito que surte nos demais companheiros? Diria que sim quando lhe convém, não é um bicho agressivo nem tão pouco seria considerado hostil, no entanto conseguiremos concluir isso pelo seu aspecto? Certamente que não, foi a experiência que hoje nos permite afirmar as suas qualidades não obstante o seu aspecto.

Como seria a aplicação prática desta idéia de que existe um universo de coisas por detrás de uma aparência. Neste ponto ponho de lado a experiência, pelo simples facto de que as experiências são actos isolados no universo, não têm aplicação nem abrangência geral, podendo ter carácter permanente ou não e sendo muitas vezes alvo de coincidências. Por isso esqueçamos a experiência. Pensemos na "Fábula dos Porcos-espinhos". Era inverno e os porcos-espinhos tinham frio, daí o terem decidido agrupar-se, no entanto e como seria de esperar havia a necessidade de se aproximarem uns dos outros cada vez mais, o que provocava ferimentos nos seus corpos. Chatearam-se e afastaram-se. O frio continuava. Eram sábios e não se sentindo satisfeitos decidiram sobre um novo agrupamento, só que desta vez de forma diferente. Encontravam-se dispostos de uma forma que permitia o aquecimento dos corpos sem que ninguém se magoasse pois a distância o tornava impossível. Checks and balances.

As coisas são o que são, a sua aparência pode coincidir com a sua essência, mas pode também sugerir algo completamente oposto ao que é. Optemos sempre por dar o benefício da dúvida, sairemos sempre a ganhar, porque ao fim e ao cabo podemos estar perante o porco-espinho mais adorável do mundo.




sábado, 23 de outubro de 2010

E com pedras também se constrói

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
**É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo-as todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Quem sou. A minha cor

Vou-vos falar de cor porque a palavra raça não parece aplicar-se aqui. E não coloco uma fotografia minha pois também não me parece interessante nem muito objectivo. Para além de que mudo de cor em função da quantidade de sol que apanho. Mas não fico cor de rosa nunca. Já entenderam né? A minha pele não é o que se costuma chamar de branca, nem de preta. Chega de entretantos e vamos ao que quero contar:

Hoje, enquanto conduzia e tentava mudar para a faixa da direita fazendo tudo perfeito (pisca, abrandando), um taxista impediu-me e ainda gritou "ó branco, não se entra assim...". Eu consegui encostar mesmo ao lado dele mais à frente e disse-lhe que achava que o transito funcionava igual para todas as cores e que eu tinha feito pisca e que ele poderia ter abrandado em vez de ter acelerado. Pareceu-me que ele ficou meio espantado com o argumento e disse "passa lá então..." e esperou que se criasse espaço para eu poder entrar. Antes de arrancar eu ainda alimentei mais o espanto do homem e disse-lhe "obrigado, mas olha que a minha avó ainda era mais escura do que tu e eu sou aquilo a que uns chamam de cabrito". Ali vi que ele já me estava a ver melhor. Ou seja, já estava a entender que há sempre muito mais para ver para além da cor aparente de alguém. Algo que descobri há muito, depois de já me terem considerado árabe, preto e branco.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sair para reentrar

Cada vez mais me assusto com a infinitude de sentimentos, emoções, aprendizagens que o mundo tem para oferecer; podemos vê-lo de todas as perspectivas possíveis, adaptando-nos a umas, acomodando-nos a outras, sempre em busca do tal dito "equilíbrio". O que será esse equilíbrio e onde estará, cabe a cada um descobrir. Eu vejo-o da seguinte forma: pensemos numa pessoa que está confortavelmente sentada num sofá igualmente confortável, a ver um programa de que gosta e tendo ao seu alcance tudo o que naquele momento precisa; o comando, o computador, o telemóvel e umas bolacinhas...o que poderia levar esta pessoa a sair desta zona? Aparentemente nada, no entanto há alguma coisa que o desperta e o leva a ter curiosidade, não sentindo plenitude na sua situação. Levanta-se e já é difícil...vai até a janela e olha para baixo, troca o seu programa por um vislumbre da realidade, vê as crianças a brincarem, os jovens a namorarem, os carros a passarem...e olha para cima e vê o céu (que para mim sempre parece uma pintura...?). Pensa...talvez eu possa sair um pouquinho de casa. E desce, não levando nada consigo (por esquecimento ou propositado? nunca saberemos). Vai andando pelas ruas, sente-se alheio aquilo pois não faz parte do seu dia-a-dia, tem fome, mas não trouxe dinheiro consigo. Há um placar "PRECISA-SE DE ALGUÉM PARA VARRER"...porque não? Varre e sente o gosto daquilo, está a trabalhar para si. Recebe 500 kwanzas e compra um pacote de Bono e uma guaraná (não gosta de coca-cola! ainda alguém com juízo). Sente-se sozinho...vai até ao parque. A princípio não faz grandes amizades...calma é o primeiro dia! Há uma pontinha de tristeza, por ter deixado o sofá de que tanto gostava, o conforto que sempre tivera, mas ironicamente não trocaria a experiência que está a ter por ambos! Talvez se pudesse ter o sofá no meio do parque? Estupidez, viva cada coisa a seu tempo, diz-lhe a sua consciência. E assim vai...vivendo e aprendendo. Depois de uma semana, já não é a mesma pessoa, já tem amigos, já se sente parte daquilo. Foi difícil, acreditem, mas ele foi em busca do outro lado da moeda. Na 2ª feira da 2ª semana já não há "PRECISA-DE DE ALGUÉM PARA VARRER", foi substituido por uma empresa...humm as autarquias a fazerem a sua parte! Bom, pensa, já posso voltar para casa. E volta. Encontra tudo exactamente como deixou, e não se esperaria outra coisa. Afinal de contas tudo aquilo eram máquinas (tirando as bolacinhas que já estão a tirar para o mole), mas ele já não é o que era, ele sim está diferente, percebe melhor as coisas e acima de tudo sente a plenitude que outrora não sentia. Agora sim vai poder deitar-se no seu sofá, deixar-se afundar e fica espantado como aquilo lhe sabe bem, sentir-se bem, ouvir uma musiquinha clássica, ver programas sobre o papel das autarquias locais, e acima de tudo saber que o ter saído da sua zona de conforto proporcionou uma zona de conforto nunca antes imaginada!

Ao meu querido pai, que me enquanto eu varro estradas, me ajuda a ultrapassar as dificuldades, e ainda me convida para fazer parte de um blog!!
Saio mas com certeza reentrarei...:-)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Como saber quem somos?

No meio das inúmeras influências. No meio das inúmeras referências. No meio dos inúmeros olhares e expectativas em relação a nós. Como saber quem realmente somos?

Ao combinarmos tudo isso acabamos por criar algo novo. Algo novo que é mais do que as influências que recebeu. Mas também algo novo que se vai continuamente transformando. Como um tecido que com o uso vai sendo moldado, e podendo perder uma ou outra das linhas que tinha originalmente. Será que podemos participar no tecer do tecido que somos e em que nos vamos desenvolvendo?

A uma pessoa de quem muito gosto e que me estimulou a escrever estas linhas, quero assegurar que sim!