Cada vez mais me assusto com a infinitude de sentimentos, emoções, aprendizagens que o mundo tem para oferecer; podemos vê-lo de todas as perspectivas possíveis, adaptando-nos a umas, acomodando-nos a outras, sempre em busca do tal dito "equilíbrio". O que será esse equilíbrio e onde estará, cabe a cada um descobrir. Eu vejo-o da seguinte forma: pensemos numa pessoa que está confortavelmente sentada num sofá igualmente confortável, a ver um programa de que gosta e tendo ao seu alcance tudo o que naquele momento precisa; o comando, o computador, o telemóvel e umas bolacinhas...o que poderia levar esta pessoa a sair desta zona? Aparentemente nada, no entanto há alguma coisa que o desperta e o leva a ter curiosidade, não sentindo plenitude na sua situação. Levanta-se e já é difícil...vai até a janela e olha para baixo, troca o seu programa por um vislumbre da realidade, vê as crianças a brincarem, os jovens a namorarem, os carros a passarem...e olha para cima e vê o céu (que para mim sempre parece uma pintura...?). Pensa...talvez eu possa sair um pouquinho de casa. E desce, não levando nada consigo (por esquecimento ou propositado? nunca saberemos). Vai andando pelas ruas, sente-se alheio aquilo pois não faz parte do seu dia-a-dia, tem fome, mas não trouxe dinheiro consigo. Há um placar "PRECISA-SE DE ALGUÉM PARA VARRER"...porque não? Varre e sente o gosto daquilo, está a trabalhar para si. Recebe 500 kwanzas e compra um pacote de Bono e uma guaraná (não gosta de coca-cola! ainda alguém com juízo). Sente-se sozinho...vai até ao parque. A princípio não faz grandes amizades...calma é o primeiro dia! Há uma pontinha de tristeza, por ter deixado o sofá de que tanto gostava, o conforto que sempre tivera, mas ironicamente não trocaria a experiência que está a ter por ambos! Talvez se pudesse ter o sofá no meio do parque? Estupidez, viva cada coisa a seu tempo, diz-lhe a sua consciência. E assim vai...vivendo e aprendendo. Depois de uma semana, já não é a mesma pessoa, já tem amigos, já se sente parte daquilo. Foi difícil, acreditem, mas ele foi em busca do outro lado da moeda. Na 2ª feira da 2ª semana já não há "PRECISA-DE DE ALGUÉM PARA VARRER", foi substituido por uma empresa...humm as autarquias a fazerem a sua parte! Bom, pensa, já posso voltar para casa. E volta. Encontra tudo exactamente como deixou, e não se esperaria outra coisa. Afinal de contas tudo aquilo eram máquinas (tirando as bolacinhas que já estão a tirar para o mole), mas ele já não é o que era, ele sim está diferente, percebe melhor as coisas e acima de tudo sente a plenitude que outrora não sentia. Agora sim vai poder deitar-se no seu sofá, deixar-se afundar e fica espantado como aquilo lhe sabe bem, sentir-se bem, ouvir uma musiquinha clássica, ver programas sobre o papel das autarquias locais, e acima de tudo saber que o ter saído da sua zona de conforto proporcionou uma zona de conforto nunca antes imaginada!
Ao meu querido pai, que me enquanto eu varro estradas, me ajuda a ultrapassar as dificuldades, e ainda me convida para fazer parte de um blog!!
Saio mas com certeza reentrarei...:-)